terça-feira, 21 de julho de 2020

LEITURAS PARALELAS


Há uma esquina onde não me atrevo a passar

JORGE LUIS BORGES


URBANISMO


Mais um imóvel
onde já nada pode ser
como dantes

assim se arruína
romanesco este país
decomposto de mudança

cai a cidade sitiada
morre na praia
de bandeira branca

verga-se a interjeição
a esse ponto
e vírgula cabisbaixa

o tempo corre 
a dobrar 
todas as esquinas


Marta Magalhães, Limpa-Metais Coração,
Lisboa, Alambique, 2019


*


SI BEMOL MAIOR


A língua muda como os ramos do comércio. Em Campo de Ourique, uma das últimas mercearias antigas de Lisboa dará, em breve, lugar a negócio mais lucrativo. Acabaram os cafés onde estudei. E fazem falta, como a língua que quase perdi, em França.

Angustiei-me tanto ao ver-me afrancesado. Era o café Copacabana a transformar-se em banco.


- JOÃO PAULO ESTEVES DA SILVA
(Manuel de Freitas / João Paulo Esteves da Silva, Prelúdios
com desenhos de Débora Figueiredo e Luís Henriques, arranjo gráfico de Pedro Santos, 
Lisboa, Alambique, 2020)

segunda-feira, 20 de julho de 2020

# 20




Shots, de Manuel de Freitas (2.ª ed.), 
seguido de Vinte e Quatro Prelúdios, de João Paulo Esteves da Silva,
com desenhos de Débora Figueiredo e Luís Henriques,
arranjo gráfico de Pedro Santos, Lisboa, Alambique, 2020

terça-feira, 1 de outubro de 2019

#19




Marta Magalhães, Limpa Metais Coração,
com (contra)capa de Luís Henriques e arranjo gráfico de Pedro Santos,
Lisboa,  Alambique, Setembro de 2019



quarta-feira, 3 de julho de 2019

#18




Rui Pires Cabral, Simple Science,
com arranjo gráfico de Pedro Santos,
Lisboa, Alambique, 2019
[300 exemplares]

quinta-feira, 18 de abril de 2019

#7




Manuel de Freitas, Sunny Bar,
com selecção de Rui Pires Cabral, posfácio de Silvina Rodrigues Lopes,
capa de Luís Henriques e arranjo gráfico de Pedro Santos, 
Lisboa: Alambique, 2015

[Esgotado]

#9


(IN)QUIETUDE


o tempo quieto numa livraria
soa a um poema escrito por um piano velho
nem lhe cai dedo cansado
nem escreve som verbal
sem ensurdecer teclas negras
no voo circular das moscas
as lombadas tombam em espinha
estantes erectas esperam por mãos
a poeira cria radículas
não ouve
o piano
os insectos
sempre é assim
máscaras e estatuetas
desesperam por áfricas
é o corpo todo em baloiço
sobre uma cauda
verde e raso momento
o tempo quieto numa livraria.




Miguel de Carvalho, Neste estabelecimento não há lugares sentados,
com arranjo gráfico de Inês Mateus,
Lisboa, Alambique, 2016

[Esgotado]